Em minhas viagens pelos planos encontrei vários conhecimentos. Escritos de antigos empérios anteriores a vários deuses, artefatos de poderes miraculosos, bestas tão grandes quanto continentes... Mas viajando entre as ruínas de uma antiga cidade no subterrâneo encontrei algo muito curioso a algusn dias atrás. Um pequeno alforje de um material azulado parecido com couro. Escritos em uma lingua estranha adornavam aquela pequena bolsa e dentro encontrei vários pergaminhos em um tipo de papel muito branco e com diversas linhas azuis a cruza-lo. Com uma simples magia de entendimento de línguas consegui decifrar tais pergaminhos. Segue abaixo a transcrição deles. Apesar de confusos e com vários termos estranhos ate mesmo a mim, adimito que tais escritos troxeram a minha mente uma certa perturbação.
...
Richard e eu estávamos sentados em minha varanda, olhando por cima das dunas para o golfo. A
fumaça de seu charuto espalhava-se preguiçosamente no ar, mantendo os mosquitos a uma distância
segura. A água era um frio azul-turquesa, o céu um azul mais profundo, mais real. Uma combinação
agradável.
― Você é o portal ― repetiu Richard, pensativo. ―― Tem certeza de que matou o
menino? De que não foi um sonho?
― Não foi sonho. E também não o matei ― já lhe disse isto. Eles mataram. Eu sou o portal.
Richard suspirou:
― Você o enterrou?
― Sim.
― Lembra-se do local?
― Sim.
Enfiei os dedos no bolso do peito e peguei um cigarro. Minhas mãos eram desajeitadas em seu
invólucro de bandagens. Coçavam abominavelmente.
― Se quiser ver, tem que pegar o buggy. Não pode rolar isto indiquei-lhe minha cadeira de rodas
― na areia.
O buggy de Richard era um Volkswagen `59 com pneus enormes. Ele o usava para apanhar
madeira trazida pela maré. Desde que se aposentara de seu negócio imobiliário em Maryland, morava em
Key Caroline e fazia esculturas em troncos trazidos pelo mar, que vendia a preços vergonhosos aos
turistas de inverno.
Tirou uma baforada do charuto e olhou para o golfo.
― Ainda não. Quer me contar mais uma vez?
Suspirei e tentei acender o cigarro. Ele me tirou os fósforos da mão e acendeu para mim.
Puxei duas tragadas, inalando profundamente a fumaça. A coceira em meus dedos era de
enlouquecer.
quinta-feira, 4 de março de 2010
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