Gueshtar de Ithil é filho de Tyalivan de Ithil e Faeryl Zaphresz, um casal de elfos do sol que viviam em uma antiga vila élfica chamada Ched Nassad, situada nas profundezas da floresta de Cormantor. Nesta vila viviam vários magos, alguns deles eram muito poderosos e possuíam diversos aprendizes. Tantos, que a vila chegava a ser confundida com uma escola de magia élfica pelos humanos. Apesar da maior parte dos habitantes da vila serem capazes de tocar a trama, os pais de Gueshtar não eram. Os três viviam como serviçais de um elfo da lua que era um dos magos mais poderosos da vila, Tramizar Omalith, sendo este mestre de três aprendizes, Chaszmyr Eilservs, Ryltar Zauviir e Tluth Mylil, todos elfos da floresta.
A vida de Gueshtar foi tranquila até a sua adolescência, quando certo dia sua alma seria ferida de forma irreversível. Na tarde deste dia nublado, enquanto Faeryl comprava frutas e Tyalivan realizava pequenos reparos na porta da residência de Tramizar, o jovem Gueshtar servia lembas aos aprendizes. No momento em que os três terminaram a refeição, o som de trovões começa a ecoar por entre as paredes da casa na árvore. Antes que eles concluíssem que se tratava de chuva, gritos de dor e agonia perfuraram o coração dos quatro elfos presentes no recinto. Assim que caíram em si, os quatro correm em direção a uma janela e se deparam com a cena mais horrível que alguns deles viriam na sua vida. Elfos mortos preenchiam o caminho por entre as árvores da floresta, enquanto alguns homens vestidos com trajes vermelhos utilizavam a trama para combater os conjuradores do vilarejo. Os quatro pensaram que mesmo os elfos da vila estando em maior numero, ainda assim provavelmente perderiam a batalha, pois não estavam preparados para um combate daquela magnitude.
Os quatro interromperam sua observação quando ouviram um grito de Tramizar vindo do centro do aposento:
- Por Mystra, o que está acontecendo? - ele perguntou.
- Homens com trajes vermelhos atacam nossos irmãos, mestr... - respondeu Ryltar, porém, antes que ele concluísse sua frase, o elfo antigo já os havia espalhado, e observava pela janela. E enquanto ali estava ele disse em voz baixa:
- Thay descobriu nosso segredo.
- Que segredo mestre, diga? - pergunta Chaszmyr.
- Não há tempo para explicações, preparem-se para o combate, conjurem seus feitiços de proteção - diz o elfo da lua.
- Esconda-se, jovem tolo - disse o antigo elfo para Gueshtar, quando vê o garoto pegando uma faca sobre a mesa.
Enquanto os quatro lançavam seus feitiços, Gueshtar corre para a sala adjacente e fica espiando pelo marco da porta. Pouco tempo depois os três aprendizes haviam desaparecido e Tramizar estava envolto por um globo azul quase invisível. Então um silêncio profundo tomou o recinto. Até mesmo os gritos vindos de fora pareciam distantes naquele momento. Pouco tempo depois este silêncio foi quebrado pelo som da porta de entrada sendo destruída, alguns aposentos à frente. E então o elfo da lua disse:
- Preparem-se meus jovens, e não comecem o ataque antes que eu o faça.
Assim que ele termina, cinco homens com vestes vermelhas e encapuzados entram no aposento e formam uma linha alguns metros à frente do poderoso elfo, enquanto este permanece calado e imóvel. Então o homem no centro da linha tira seu capuz e revela sua identidade. Longos cabelos loiros e uma tatuagem que vinha do pescoço, passava por fora de seu olho esquerdo e terminava em uma orelha pontuda - era um elfo. Tramizar demonstrou espanto quando viu seu oponente e disse:
- Nunca imaginei que o veria novamente, muito menos em um robe vermelho. Agora eu entendo o que está havendo.
- Se já entendeu, entregue-a - disse o elfo tatuado.
- Jamais! Sabe que não fui chamado por causa dela e que eu mesmo nunca a tomei. Não a deixarei em mãos duvidosas - disse o elfo poderoso.
- Por isso irão perdê-la. Nenhum dos quatro utiliza-a, nem mesmo para defendê-la. Agora que os elfos abandonaram estas florestas, é uma questão de tempo até que os Drow ou qualquer outra criatura venha buscá-la, e ai sim estará em mãos erradas. Em Thay ela ficará segura. Entregue-a e viverá.
- Me subestima, aprendiz. Esqueceu a extensão de meus poderes – disse Tramizar.
- Não o subestimo, por isso não vim sozinho, e gastará suas energias protegendo esses inúteis que mal podem desaparecer com eficiência, por isso perderá - disse o elfo de vermelho.
- Veremos - disse o antigo elfo, que imediatamente começou a fazer gestos e pronunciar um feitiço.
Neste momento Gueshtar corre para o aposento do elfo da lua enquanto ouve sons de explosões, raios e gritos de criaturas que ele não conseguiu reconhecer. No aposento uma feroz batalha acontece. Os aprendizes lançam feitiços contra os companheiros do elfo tatuado, enquanto esses revidavam. Tramizar atacava com feitiços poderosos ao mesmo tempo que utilizava sua habilidade especial - ele era capaz de proteger a trama e impedir que esta fosse tocada por outra pessoa - assim impossibilitando que o elfo tatuado conjurasse qualquer feitiço. Pouco tempo depois o aposento estava destruído, uma grande parte do teto havia caído, uma parede desmoronado e o chão revelava os grossos galhos em que a casa estava apoiada. Apenas Tramizar e o elfo tatuado ainda estavam vivos. A batalha cessara por um momento, então o elfo da lua disse:
- O que foi? Seus feitiços acabaram?
-Talvez, e como você não me atacou ainda acredito que os que lhe restam são inúteis em combate - disse o elfo de vermelho.
- Com os poucos feitiços de combate que preparei fui capaz de derrotar seus companheiros, lhe deixar em frangalhos e sem feitiços. Você nem sequer me feriu. Desista.
- Pode ser verdade o que você fala, mas quem disse que um duelo entre conjuradores deve ser decidido apenas com o uso da trama? - perguntou o elfo tatuado enquanto sacava uma espada.
Naquele momento Tramizar percebeu que havia perdido o combate, pois com sua idade avançada e desarmado jamais o venceria em combate corporal.
- Nunca conseguirá romper o lacre e morrerá tentando. Sua viagem foi em vão – Tramizar respondeu, enquanto fazia gestos arcanos, e antes que o seu oponente conseguisse tocá-lo com sua espada ele se retirou rápido como uma flecha na direção de seu aposento. Chegando lá ele tranca seu quarto e grita:
- Gueshtar, apareça, vamos ter que fugir - disse enquanto pegava seu grimório.
Nesse momento Gueshtar sai de traz do guarda roupa e pergunta:
- Mas e os aprendizes, minha mãe, e o meu pai?
- Os aprendizes não tiveram sorte. Vamos rezar para que sua família tenha tido. De qualquer forma não posso fazer mais nada aqui - respondeu o mago, enquanto desenhava no chão um círculo com símbolos arcanos, utilizando um giz que repousava em cima da cômoda.
- Mas mestre... - Gueshtar nem terminara de falar, quando ouviu um forte estrondo na porta. Ele se voltou na direção do círculo, e notou que este foi substituído pela imagem que uma pessoa veria se estivesse deitada sobre o chão de uma floresta com árvores altas.
- Amanhã procuramos por sua família. Agora entre no círculo. - ordenou Tramizar, enquanto empurrava o garoto na direção da imagem.
Quando Gueshtar tentou tocar a imagem com os pés, ele a atravessou e se viu na mesma floresta de árvores altas que ela exibia, e ao seu lado estava o antigo elfo.
Enquanto Gueshtar estava atordoado tentando entender tudo que aconteceu, Tramizar fez gestos em frente a uma árvore e disse palavras que o jovem não era capaz de compreender. Quando terminou, disse:
-Venha, podemos descansar aqui - disse o elfo mais velho enquanto puxava um pedaço da casca da árvore, revelando um aposento pequeno com duas camas e uma mesa com comida ao centro.
Assim que o jovem entrou pela passagem, disparou várias perguntas ao mais velho:
- Por que eles nos atacaram? Quem era aquele elfo? O que ele quer... - o jovem parou quando notou algo estranho com o mais antigo - aconteceu alguma coisa?
- Sim, o resto do conselho está morto e eles conseguiram toma-la - disse o mago.
- Ela quem? Que conselho? - perguntou Gueshtar.
-Sente-se, agora que já esta tudo perdido lhe explicarei.
E então os dois passaram o resto da tarde e o principio da noite conversando. Tramizar explicou que milênios atrás, cinco magos elfos receberam uma missão vinda da própria deusa Mystra. Eles deveriam proteger em sigilo um artefato sem jamais utilizá-lo, que o batizaram de O Segredo de Mystra. Eles se lançaram nas profundezas da floresta de Cormator. Permaneceram escondidos por dois séculos. Eles já tinham uma idade avançada, e envelheceram ainda mais. Logo, temiam que em breve não seriam mais capazes de proteger o artefato se algo acontecesse. Como não receberam nenhum sinal da deusa desde que a missão lhes foi dada, eles não sabiam mais o que fazer. Não esperavam que a missão duraria tanto tempo. Mais alguns anos se passaram e depois de calorosas discussões, decidiram que deveriam ser substituídos para que o artefato não corresse riscos. Então, através de magias, eles começaram a chamar a atenção de alguns magos elfos pelo mundo, dizendo que estavam velhos demais e que queriam passar adiante o conhecimento que haviam acumulado. Rapidamente, duas dúzias de magos experientes haviam se tornado aprendizes dos anciões. Depois de algumas décadas, cada um dos anciões escolheu um aprendiz para lhe contar o segredo e lhe passar a missão. Além disso, ordenaram que transformassem aquele lugar numa vila pequena, e povoada por magos, pois os cinco aprendizes juntos nunca alcançariam poder o suficiente para equivaler a um dos anciões, assim eles deveriam utilizar a população para defender o artefato sem que ela sequer soubesse disso. E antes que os anciões se retirassem eles lançaram um lacre sobre o artefato que impediria sua utilização, para o caso de um dos aprendizes tentasse toma-lo para si. Então os escolhidos formaram o conselho da vila que se chamaria Ched Nassad, num dialeto élfico antigo significava Refúgio da Trama.
Quando Gueshtar indagou sobre o elfo de Thay, o mago explicou que seu nome era Lessanor Solaufen, e que era o aprendiz mais sagaz que ele já teve, por isso tinha sido escolhido para ser o próximo membro do conselho. Porém, após ter aceito a missão e ouvido o segredo, ele disse que desejava cuidar de alguns assuntos antes de atender ao dever. Disse que viajaria por no máximo um ano e voltaria. Tramizar disse ter deixado que ele fosse, mesmo tendo mau pressentimento sobre essa viagem. Porém, apesar de confiar muito em seu aprendiz, todos os dias o ancião o espionava através de magias, assim o elfo da lua seria capaz de impedi-lo se tentasse algo. Antes que meio ano passasse, Lessanor entrou no submundo, e então misteriosamente Tramizar nunca mais conseguiu observá-lo. Depois disto elfo antigo tentou de várias formas diferentes entrar em contato com seu discípulo, mas sem sucesso. Assim, ele concluiu que seu aprendiz deveria estar morto. Depois de alguns anos ele decidiu que deveria procurar novamente um aprendiz capaz de receber a missão.
Quando Gueshtar perguntou sobre o artefato, o elfo da lua disse que era uma pequeno galho com dois palmos de comprimento e que não emanava uma aura mágica, explicou também que não sabia do que a varinha era capaz pois ninguém nunca a utilizou.
Após a longa conversa ambos fizeram uma refeição e descansaram no abrigo mágico. No outro dia pela manhã o mago lançou vários feitiços. Após terminar suas conjurações ele disse a Gueshtar que sua família não havia sobrevivido ao incidente. Extremamente triste e aos prantos o jovem diz que quer voltar a vila e construir uma sepultura digna a seus pais. O ancião nega dizendo que ainda há magos vermelhos na vila, diz também que eles devem fugir pois os inimigos tentam encontrá-los. Descontrolado, o jovem diz que reconhece esta parte da floresta e irá sozinho, então dá as costas ao mago e começa a correr. Porém após dar algumas passadas Tramizar o chama e ele sente como se algo o puxasse de volta, sem conseguir resistir ele retornou à companhia do mago. Então o ancião tentou confortá-lo pela perda e faz com que o jovem se acalme. Disse para não se preocupar, pois como foi sua falha que custou a vida da família do jovem, ele cuidaria dele até que tivesse idade para se cuidar. Depois disto começa a pronunciar palavras arcanas enquanto tira de sua bolsa uma semente e a joga ao chão, e pouco antes que ela o tocasse um pássaro veio do céu e a comeu. Assim que a ave terminou de engolir, ela começou a crescer e o torso da criatura alcançou o tamanho de dois cavalos. Então o elfo da lua chamou Gueshtar para montarem na ave, enquanto dizia que iram para uma pequena cidade chamada Jhanniss, tão minúscula que poucos mapas a contia. O povo de lá era grato a ele e provavelmente lhes arranjariam uma casa.
Antes que um ano se passasse Tramizar descobre que alguns magos vermelhos vieram a cidade, e estavam em sua procura. O sábio mago rapidamente concluiu que, os tolos de Thay achavam que ele era capaz de romper o lacre e por isso o procuravam. Tramizar sabia que se ele os confrontasse, chamaria a atenção dos magos vermelhos e que seria obrigado a se mudar daquela cidade. Como teria que se mudar de qualquer forma ele acaba preferindo faze-lo em sigilo. Tramizar decide que seria uma cidade nos confins do Vale do Vento Gélido. Para um poderoso mago como ele era muito fácil se mudar instantaneamente sem deixar rastros. E então assim o fez.
Chegando lá, o elfo da lua decide que deve ensinar a Gueshtar como usar a trama, pois se em um momento futuro os magos vermelhos conseguissem alcança-los, o jovem deveria ser capaz de se defender, ou seria derrotado pelo mesmo motivo que perdeu a batalha em Ched Nassad. Quando o elfo da lua começa a ensinar aquele que seria seu último aprendiz, ele nota que o jovem era extremamente talentoso. O único aprendiz que o superava em sagacidade era Lessanor.
Viveram cinco anos no Vale do Vento Gélido até os magos vermelhos descobrirem seu paradeiro. Então eles se mudam para Amn, e depois para Águas Profundas. Porém, desta vez Gueshtar já aprendera os truques da trama, e insiste que lutem antes de viajarem, com a desculpa que a batalha os atrasaria. Mas o elfo da lua sabia que o aprendiz apenas queria ceifar a vida daqueles que lhe tiraram sua família. Sem poder culpar o jovem pelo que sentia, ele apenas disse que estava velho demais para isso e que não queria causar problemas a cidade. De Águas Profundas eles se mudam para Ilhas Nelanther, e lá Gueshtar insiste que devem mudar a estratégia, que precisam começar a atacar ou seriam encurralados em algum momento. O ancião afirmou que não adiantava atacá-los, pois nunca iriam recuperar O Segredo de Mystra, e apenas aumentariam a sede de Thay para captura-los. O jovem insiste e eles começam a discutir, e esta discussão dura até que Tramizar mandou seu aprendiz se calar, afirmando que este deve seguir o mestre e não o contrario.
E se mudando, não sem discussões, assim viveram por três décadas. Até que certa noite, enquanto meditava, Tramizar recebe o chamado do encontro eterno, disseram a ele que o seu aprendiz já era capaz de se cuidar e que lá, Thay não o alcançaria. Quando o mago indagou sobre o seu aprendiz eles disseram que não seria chamado, pois se fosse, não ficaria e que o elfo da lua não deveria se preocupar com o jovem elfo do sol, pois o segundo só ficaria em paz se o primeiro partisse já que este era inútil ao elfo corrompido. Assim, o ancião decide que irá atender ao chamado.
Na outra manhã ele convoca o seu aprendiz e explica o que ocorreu na noite passada. Quando o jovem indaga sobre o que seria dele, o mestre diz que não o chamaram por ainda ter assuntos inacabados nas terras dos homens. Então o mestre aconselha o elfo do sol a esquecer o passado e tentar ter uma vida normal, e que se ele conseguisse fazer isso, quando fosse a hora, o próprio mestre o chamaria. Eles terminam a conversa e com um grande peso no coração se despedem.
Gueshtar permanece na mesma residencia durante uma semana pensando no que faria agora que estava sozinho. Após muita reflexão, ele descobre que nunca seria capaz de perdoar os magos vermelhos pelo que fizeram, e assim decide que teria sua vingança ou morreria tentando. O elfo que já não era mais jovem, junta o que acha ser útil e abandona a residencia em direção a terra dos vales, o lugar onde tudo havia começado.
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Caraleo!!!
ResponderExcluirmuito foda!!! Desde o enredo passando pelo jeito que voce entrelaçou os magos vermelhos, mystra, os anciões e os territorios de faêrun!!!! muito bom mesmo Izmael!!!
2000 de xp facil mais um iten fuderoso pra ti!!!!